Traqueostomias

     A Traqueostomia é o procedimento cirúrgico que, através da colocação de uma cânula na traquéia, estabelece uma comunicação direta entre ela e o meio externo. É um dos procedimentos cirúrgicos eletivos mais comuns realizados em pacientes criticamente enfermos. É um procedimento que salva vidas, principalmente quando realizado com uma indicação apropriada e técnica cirúrgica adequada.

     A traqueostomia é realizada desde os tempos antigos e as primeiras referências conhecidas podem ser encontradas no Rig Veda, a escritura Hindu sagrada que é datada em 2000 a.C.

     Inicialmente foi usada para alívio de obstrução aguda das vias aéreas, sendo realizada como procedimento de último recurso. Hoje é realizada na terapia intensiva moderna, com ampla indicação.

     As indicações para a traqueostomia incluem obstrução mecânica das vias aéreas superiores, proteção da árvore brônquica em pacientes com risco de aspiração, insuficiência respiratória, retenção de secreções brônquicas e pacientes com doenças cirúrgicas de cabeça e pescoço (restabelecimento de via aérea em casos de doenças obstrutivas, proteção de vias aéreas após grandes ressecções de cavidade oral e orofaringe). Uma indicação importante no campo da medicina intensiva é o de intubação prolongada; neste caso, a duração da ventilação mecânica é muitas vezes de difícil avaliação. O momento adequado para realizar a TQT nestes casos é controverso. O intensivista deve solicitar uma traqueostomia em 10-14 dias, em média.   Em crianças, a decisão de realização de TQT é complexa e depende de vários fatores, incluindo a gravidade da obstrução da via aérea, a dificuldade, o tempo de intubação e da sua condição médica subjacente. Atualmente, a indicação mais comum da traqueostomia na criança é a intubação prolongada; em seguida, vêm a intubação realizada para limpeza traqueobrônquica e as malformações congênitas da via aérea.

     A traqueostomia ajuda a reduzir a sedação do paciente. Além disso, os tubos de traqueostomia são mais confortáveis ​​que o tubo endotraqueal e, portanto, melhor tolerado pelos pacientes, que, conseqüentemente, necessitam de menos sedação. Os doentes também tem o potencial para comer e falar com a traqueostomia. A desvantagem de contornar as vias aéreas superiores é que o aquecimento, umidificação e filtragem de ar não ocorrem antes que o ar inspirado atinja a traquéia e pulmões.

     Atualmente, existem duas maneiras de se realizar a traqueostomia: Cirúrgica e Percutânea dilatada. A traqueostomia percutânea guiada é segura e rápida. O princípio é a dilatação simples ou multi-passo do tecido pré-traqueal e da parede traqueal anterior por punção central da traquéia sob controle endoscópico com subsequente colocação da cânula de traqueostomia.

     As cânulas ideais devem possuir conector externo para adaptação nos equipamentos de ventilação mecânica e apresentar tubo interno que possa ser removido e limpo. Infelizmente, nenhuma das cânulas metálicas ou plásticas atualmente disponíveis apresentam todas essas características. Existem vários tipos de cânulas, incluindo-se os metálicos, plásticos, confeccionados de silicone e nylon. Eles variam de acordo com o diâmetro interno, ângulo de curvatura, mecanismo de fechamento, cuffs (um ou mais) válvulas e fenestrações. Normalmente o tamanho da cânula é definido pelo diâmetro da traquéia. Cânula com diâmetro muito largo pode ocasionar lesão da mucosa ou mesmo isquemia da parede traqueal. Isso pode ocasionar ulceração e posteriormente estenose fibrótica da traquéia. Pela mesma razão, as cânulas de traqueostomia usadas na criança não têm balonete, devido ao risco de injúria isquêmica e estenose residual. Cânula demasiadamente curta pode facilitar decanulação acidental ou formação de falsa via; cânulas demasiadamente longas podem lesar a carina ou determinar intubação seletiva para um dos brônquios.

     A incidência de complicações gerais depende da experiência das equipes cirúrgicas e varia de 5 a 40%. As complicações mais comuns que ocorrem são hemorragia, obstrução do tubo e deslocamento do tubo.  Procure sempre um profissional qualificado e especializado para a realização e acompanhamento de pacientes com traqueostomia.


Creditos: Andressa Lorena Negri