Hiperidrose e Simpatectomia

 

A hiperidrose é definida como a sudorese exagerada de uma parte do corpo. A hiperidrose palmar (mãos) e axilar tem se tornado um problema cada vez mais discutido nos consultórios médicos, em parte pelas novas possibilidades terapêuticas para um problema que aflinge de forma silenciosa uma grande parcela da população.

O diagnóstico da hiperidrose geralmente é feito na adolescência, mas não é incomum ouvir dos pais que a criança (paciente) já apresentava sinais do problema desde a infância. Os sintomas de sudorese excessiva estão na grande maioria das vezes relacionados à episódios de ansiedade, estresse e outros abalos emocionais mas o grande inconveniente é que persistem e são recidivantes.

Apesar da hiperidrose não ser uma doença nova, sempre houve uma dificuldade em diagnosticar a etiologia e tratar essas pessoas, já que não havia um tratamento clínico eficaz e a técnica operatória indicada e usada até alguns anos atrás era complicada e tinha riscos de seqüelas. Por isso, poucos cirurgiões indicavam o tratamento cirúrgico e os pacientes peregrinavam por consultórios de clínicos, dermatologistas e até psiquiatras a procura de alívio para seu problema.

Hoje sabemos que muita gente sofre de hiperidrose essencial ou primária (sem causa definida), que é mais freqüente do que nós imaginamos. A pessoa que sofre de hiperidrose sua exageradamente nas extremidades, principalmente nas mãos. Essa sudorese pode ser tão intensa que prejudica as relações sociais, afetivas e até as atividades profissionais. Quem tem o problema procura escondê-lo, evitando contatos manuais com outras pessoas e usa artifícios para manter as mãos secas, deixando ao alcance toalhas, lenços de papel ou talco.

Mesmo utilizando-se de todos estes artifícios, a pessoa que tem hiperidrose nunca se sente seguro. Isto atrapalha sobremaneira a vida social do indivíduo, que geralmente é um adolescente que já está passando por diversas transformações de carater físico e psicológico.

Sabemos desde o começo do século passado que se cortarmos pequenos nervos do chamado Sistema Nervoso Autônomo (Sistema Simpático), situados na parte alta do tórax cortaremos as conexões responsáveis pela produção de suor nas mãos. Com o desenvolvimento das técnicas cirúrgicas usando micro-câmeras, a operação indicada para o tratamento da hiper-hidrose se tornou tecnicamente mais simples e mais segura, além de muito mais confortável para o paciente.

Através de dois pequenos cortes, geralmente feitos na axila, são introduzidos a micro-câmera e os instrumentos cirúrgicos. Os nervos responsáveis pelos estímulos que provocam o suor exagerado, são cortados e cauterizados. A dor e desconforto são muito pequenos, e normalmente o paciente recebe alta algumas horas depois da operação. O índice de satisfação dos pacientes operados é elevado e as complicações são raras.

O principal vilão desta cirurgia é a sudorese compensatória. Uma parcela dos pacientes passa a perceber um aumento da sudorese na região das costas, peito e coxas. Geralmente é uma sudorese tolerável e relacionada à ambientes quentes que aparece de forma sazonal nos meses mais quentes do ano. Como a nossa região apresenta um clima tropical úmido, com temperaturas elevadas grande parte do ano, sempre deve ser considerada a possibilidade de sudorese compensatória após a realização da simpatectomia, o que por outro lado não diminui a satisfação do paciente em se ver livre da hiperidrose palmar e axilar.