Câncer de Pulmão

     O câncer de pulmão se tornou nos últimos anos a neoplasia mais frequente na população mundial, e a principal causa de óbito por câncer no mundo. Em 2012, a World Health Organization (WHO) publicou estimativas acerca do câncer de pulmão, sendo esperado 1,8 milhões de novos casos e 1,59 milhões de mortes ao redor do mundo, correspondendo a 19,4% do total de óbitos por câncer. Segundo a American Cancer Society (ACS), são esperados em 2015 nos Estados Unidos 221.200 novos casos, correspondendo a 13% de todos os cânceres, e 158.040 mortes por câncer de pulmão, representando 27% de todas as mortes por câncer. No Brasil, dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) publicados em 2014, estimaram para o seguinte ano, 27.330 novos casos, sendo 16.400 em homens e 10.930 em mulheres. Nas últimas duas décadas, o câncer de pulmão se manteve como a principal causa de morte por câncer no sexo masculino, e o segundo no sexo feminino, ficando atrás apenas do câncer de mama.

     Em meados do século passado, a relação de incidência entre homens e mulheres do câncer de pulmão chegava a 10:1. Entretanto, nos dias atuais, com o aumento do número de mulheres fumantes essa relação reduziu, variando nos estudos brasileiros entre 3,17 e 1,7 homens para cada mulher. A maior parte dos casos acomete indivíduos entre a 50 e 70 anos, com média de idade variando entre 60,5 a 65,7 anos.

     Estima-se que o tabagismo ativo seja responsável por cerca de 90% dos casos de câncer de pulmão. O risco aumenta de acordo com a carga tabágica, sendo a duração um fator de risco maior do que a quantidade de cigarros. A interrupção do hábito reduz o risco de maneira significativa, aproximando-se da população não tabagista após um período de 10 a 15 anos de abstinência. O uso de charutos ou cachimbos também está associado ao aumento do risco de câncer de pulmão, porém bem menor quando comparado ao cigarro, devido à exposição reduzida a fumaça, já que normalmente esses consumidores não têm um hábito tão frequente. Nos casos de tabagismo passivo em ambiente domiciliar ou no trabalho, o risco de desenvolver a doença aumenta em 20-30% (U.S. Department of Health and Human Services, 2004). Outros fatores de risco também conhecidos são: exposição ocupacional (asbesto, cromo, berílio, arsênio, radônio); doença pulmonar preexistente, como doença pulmonar obstrutiva crônica ou fibrose pulmonar; câncer de cabeça e pescoço ou esofágico; história familiar de câncer de pulmão; poluição; câncer de mama ou linfoma tratados com radioterapia torácica; susceptibilidade genética; entre outros. Além disso, fatores de risco também podem se sobrepor, aumentando ainda mais a chance de desenvolver a doença.

     Normalmente, os sintomas relacionados ao câncer de pulmão são inespecíficos e tardios. Segundo Hajmanoochehri, os sinais e sintomas mais prevalentes são tosse em 76,5% dos casos, falta de ar em 59,4%, perda de peso em 51,9%, tosse com sangue em 33,5%, febre em 8,6% e dor torácica em 2,2%. .

     Na suspeita clínica do câncer de pulmão, a radiografia de tórax deve ser o primeiro exame a ser solicitado. Sintomatologia associada a fatores de risco requerem investigação, mesmo com radiografia normal. Nestes casos, a tomografia computadorizada (TC) de tórax tem papel fundamental. A fibrobroncoscopia é o principal método para avaliação da árvore traqueobrônquica, além de permitir a coleta de material para análise anatomopatológica.

    O diagnóstico precoce é muito importante. A taxa de cura para os estágios iniciais da doença que são submetidos à cirurgia encontra-se acima de 80%. A realização dos exames de rotina e de rastreamento da doença, quando indicados, sem dúvida nenhuma ajudam a salvar vidas. Não se sinta sozinho, procure ajuda!


Créditos: Lara Gabriela Fonseca Martins